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DIA DO LIVRO: 5 LIVROS QUE VOCÊ PRECISA LER

A vida é muito curta para perder tempo com livros ruins. Vamos fazer um cálculo simples: digamos que você seja um leitor acima da média e, portanto, leia quatro obras por mês. Isso significa que você lerá quarenta e oito livros por ano, ou seja, quatrocentos e oitenta livros em dez anos. Parece muito, mas não se engane, quinhentos livros é pouco. Pra você ter ideia, o Google fez um levantamento e chegou a conclusão de existem 129.864.880 livros no mundo (confere o estudo completo). Assim, se você passar dez anos lendo feito louco você conseguirá ter concluído 0,0003% das obras existentes. O caso fica ainda mais crítico quando levamos em conta a média de leitura do brasileiro: minúsculos 2,7 livros por ano. Nesse ritmo você demoraria quarenta e oito milhões de anos para ler tudo que existe.

Bom, qual é a conclusão disso? Que não há tempo para ler livros ruins. 

Por isso escolhemos cinco livros que julgamos indispensáveis. O critério foi, apenas, o gosto daquele que vos escreve. Então já peço desculpas de antemão caso não concordem com a lista.

Claro que cinco livros é muito, muito pouco, mas se levarmos em conta a média nacional teremos aí dois anos de leitura! Deixa nos cometários aqueles livros que você acha que são imprescindíveis e vamos aumentar a nossa listinha.

Sentimento do Mundo – Carlos Drummond de Andrade

No melancólico livro Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade lê a si e ao seu tempo, realizando uma espécie de autovivissecção dos sentimentos, angústias e esperanças.

A melancolia da obra tem relação com sua época, uma vez que ela foi publicada em 1940, auge da Segunda Guerra Mundial, o mais mortífero conflito da história, somando mais de sessenta milhões de vítimas. A impressão passada pelos poemas é de que a crueza e desolação de um contexto terrível desperta em Drummond uma tristeza pesada e ao mesmo tempo bela. O Sentimento do mundo é ora um grito, ora um sussurro de revolta frente ao rumo dos acontecimento dos anos trinta e quarenta, unindo uma vaga esperança à impotência de quem, como escreveu Walter Benjamin, viu-se abandonado “numa paisagem diferente em tudo, exceto nas nuvens, e em cujo centro, num campo de forças de correntes e explosões destruidoras, estava o frágil e minúsculo corpo humano”.

“Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor. 

Nele não cabem nem as minhas dores.”

Ficções e O Aleph – Jorge Luis Borges 

Um dos maiores nomes da literatura latino americana, o argentino Jorge Luis Borges nos trouxe no final da primeira metade do século XX as excepcionais coletâneas de contos Ficções e O Aleph. São diversas narrativas que flertam com o imponderável, com o infinito, brincam com o divino e, muitas vezes, arremessam o leitor em transes metafísicos. No entanto, quando Borges nos leva a pensar sobre o cosmo, ele nos proporciona mais do que mero entretenimento, mas elucubrações que facilmente trazemos para o nosso cotidiano. O conto Pierre Menard autor de Quixote traz profundas reflexões sobre o que significa a obra de arte ao longo do tempo. Em O Imortal, somos guiados por uma trama de mistério e aventura, onde recompensa e maldição se entrelaçam. O fantástico conto O Aleph traz a ideia de uma esfera onde é possível ver tudo o que foi, o que será e o que está sendo, tudo em um único instante. 

“vi no Aleph a Terra, e na Terra outra vez o Aleph e no Aleph a Terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto, e senti vertigem e chorei, porque meus olhos haviam visto esse objeto secreto e conjetural, cujo nome usurpam os homens, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.”

Por essas razões e por outras que você precisa ler os contos de Jorge Luis Borges.

Dom Casmurro – Machado de Assis

Não são poucos os literatos que colocam Machado de Assis como o maior autor brasileiro, quiçá de língua portuguesa, de todos os tempos. O autor teve uma vasta carreira; uma primeira fase vinculada ao romantismo e, a seguir, uma segunda fase realista. A fase realista de Machado tem obras como Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Seria difícil escolher algum livro da fase realista de Machado como melhor que outro, a escolha por Dom Casmurro é, portanto, quase um acaso. No entanto, a figura de Bentinho, Capitu e Escobar são marcantes e recorrentes na arte nacional, o que torna Dom Casmurro, dentre muitas outras razões, uma leitura não apenas excelente, mas essencial. O enredo é composto pelas memórias do narrador Bentinho, com destaque para sua relação com Capitu e Escobar. Para além de toda a diversão associada à leitura de Dom Casmurro, a obra também nos mostra um pouco da realidade social do Brasil da segunda metade do século XIX. Questões como as “castas” sociais, a escravidão, o papel da igreja, tudo isso compõe uma narrativa fixada no ponto mais alto de nossa literatura. Outra característica a destacar em Dom Casmurro é o fato de que, por ser em primeira pessoa, é preciso sempre desconfiar do narrador, o que levanta questões nunca resolvidas como: Capitu traiu mesmo Bentinho? Essa possibilidade de questionar aquele que conta a história tem uma característica quase pedagógica para a vida, pois acaba por emancipar o leitor. Sempre que o narrador da obra disser algo como “acredite em mim, leitor” fique atento, pode ser cilada. 

A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Em um tempo no qual o estilo romance vinha sendo um tanto desacreditado, A Insustentável leveza do ser veio para mostrar a força ainda enorme da ficção. Situado em Praga antes, durante e depois dos marcantes acontecimentos dos anos sessenta, o enredo tem como pano de fundo a Primavera e, posteriormente, o “Inverno” de Praga. Uma das enormes qualidades da narrativa é a capacidade de jogar com o micro das relações interpessoais entre as personagens e o macro dos acontecimentos que abalaram a antiga Tchecoslováquia. É, fundamentalmente, uma história de amor, porém não um amor romântico, mas um amor que envolve todos os problemas naturais de uma relação, suas limitações, infidelidades e sacrifícios, mas que, ainda assim, sobrevive. As elucubrações do narrador também são um ponto alto da obra, pois é nesses momentos de filosofia do narrador em terceira pessoas que temos pérolas sobre sobre a ideia de fidelidade, de kitsch e de liberdade.    

“O amor não se manifesta no desejo de dormir com alguém (esse desejo ocorre em relação a uma quantidade incontável de mulheres), mas no desejo de dormir junto a alguém (esse desejo ocorre em relação a uma única mulher).” 

Lavoura Arcaica –  Raduan Nassar

No meio do caminho entre a prosa e a poesia, Raduan Nassar faz de sua Lavoura arcaica um narrativa que explode em sensibilidade. Trata-se da história de André, jovem do meio rural e que foge de casa. O enredo é, em boa medida, o diálogo de André com seu irmão mais velho encarregado pelo patriarca de encontrar o bezerro desgarrado. Temas como família, sexualidade, infância, tradição e religião compõem uma obra excepcional.

O leitor pode acreditar, em um primeiro momento, que se trata de uma leitura excessivamente lírica na qual a abordagem poética não contribui para o encadeamento dos acontecimentos, no entanto, passado o choque das primeiras páginas, logo entramos sem desconforto neste estilo narrativo que parece colocar o leitor dentro de uma lembrança febril: algo entre o sonho e a arte. Outra característica digna de destaque é a forma como Lavoura arcaica é capaz de traçar características psicológicas das personagens, o que, devido aos acontecimentos, cria uma enorme tensão emocional que deságua em um final imprevisível e assombroso. 

“tinha cal, tinha sal, tinha naquele verbo áspero a dor arenosa do deserto.”  

Outros livros que você deveria ler:

É lógico que cinco ou seis livros não constituem grande apanhado, mas é bom começar por algum lugar. No entanto, aqui vão outras dicas!

  • Fragmentos de um Discurso Amoroso – Roland Barthes
  • Extensão do Domínio da Luta – Michel Houellebecq
  • Serotonina – Michel Houellebecq
  • Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
  • Memórias do Subsolo – Fiódor Dostoiévski
  • Contos – Anton Tchekhov
  • Memórias Póstumas de Bras Cubas – Machado de Assis
  • Várias Histórias – Machado de Assis
  • Zero – Ignácio de Loyola Brandão
  • Contos Gauchescos – Simões Lopes Neto
  • Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  • O Estrangeiro – Albert Camus
  • Verbos Auxiliares do Coração – Péter Esterházy
  • Diário da Queda – Michel Laub
  • A Metamorfose – Franz Kafka
  • Carta ao Pai – Franz Kafka
  • O Processo – Franz Kafka
  • A Montanha Mágica – Thomas Mann
  • Sidarta – Hermann Hesse
  • O Lobo da Estepe – Hermann Hesse
  • Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marques
  • Cartas a um Jovem Poeta – Rainer Maria Rilke
  • Trópico de Câncer – Henry Miller
  • Hollywood – Charles Bukowski
  • Vidas Secas – Graciliano Ramos
  • O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo
  • Cidades Invisíveis – Ítalo Calvino
  • O Pagador de Promessas – Dias Gomes
  • Calabar: O Elogio da Traição – Chico Buarque e Ruy Guerra
  • Estorvo – Chico Buarque
  • Barteby, o Escrivão – Herman Melville
  • Os Sofrimentos do Jovem Werther – Johan Wolfgang von Goethe

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